terça-feira, 16 de janeiro de 2018

1º Encontro Mithos a Ler

Nos dias 3 e 4 de Novembro realizou-se na Biblioteca Fábrica das Palavras em Vila Franca de Xira o 1.º Encontro Mithós a ler. Surgiu de uma proposta à Mithós Histórias Exemplares feita pela  «Laredo -  Associação Cultural»  e foi apoiada pela «Fundação Auchan para a Juventude.»


A proposta era dar a conhecer este projecto e após um ano realizar uma reflexão sobre o seu desenvolvimento.   Propunha-se ainda discutir a temática da deficiência, a inclusão e o acesso à informação com a tomada de consciência dos nossos direitos.  E ainda o papel das bibliotecas como transmissor da informação e ajuda à  tomada de consciência pelas pessoas com deficiência:  quais são os seus direitos e deveres e de como agir para os ver reconhecidos.

No 1.º painel “Bibliotecas – Espaço de Inclusão”, no dia 3 de Novembro, falaram: 
Manuela Barreto Nunes - Professora da Universidade Portucalense e Miguel Horta - Mediador de Leitura. Seguiu-se um debate sobre a “Educação e Mediação Leitora”. 
Manuela Barreto Nunes referiu o Manifesto da UNESCO sobre as Bibliotecas Públicas realçando que devem ser acessíveis a todos sem distinguir raça, género, religião, idade, nacionalidade, língua ou condição social. São particularmente importantes para pessoas com diversidade funcional, minorias étnicas e linguísticas ou reclusos. A biblioteca é como um organismo vivo, elas tornam-se espaços de aprendizagem, de partilha de conhecimentos e de afectos e podem  combater a solidão, o desemprego, a iliteracia digital e a infoexclusão.  Segundo ela a inclusão nas bibliotecas vai para além de leitores com diversas incapacidades terem acesso à leitura, mas todos os cidadãos conseguirem ler. “ As bibliotecas são ao mesmo tempo espelhos e janelas, espelho para o encontro para o seu semelhante e janela para ver o Mundo e  ajudá-lo a compreende-lo melhor”.
Miguel Horta falou da sua expe
riência como Mediador de Leitura. Tal como Manuela Barreto Nunes também considerou as bibliotecas como seres vivos. Elas devem ter adaptações fisicas mas também devem estar adaptadas ao público com dificuldades, por exemplo um baixo nível de iliteracia. Referiu públicos específicos como a comunidade cigana, reclusos ou crianças autistas.
Mais tarde decorreram as Tertúlias sobre Educação e Mediação Leitora.
Discutiu-se em que medida é que as escolas estão preparadas para a vida independente referindo exemplos de barreiras e de boas práticas. Citou-se as novas tecnologias Powerpoint, Vídeos, Redes Sociais, por exemplo.



No dia seguinte  no dia 04 de Novembro falaram Diogo Martins, presidente da Associação Vida Independente, Sérgio Lopes representando a Direcção da Mithós – Histórias Exemplares, Jorge Falcato arquitecto, deputado da Assembleia da República e lider do Movimento Deficientes Indignados, Margarida Fonseca e Santos e Mara João Filipe responsável pela Rede de Bibliotecas da Escola Básica de Mafra. Moderadora foi Manuela Ralha na qualidade de Vereadora de Vila Franca de Xira e Presidente da Mithós – Histórias Exemplares.
Na Tertúlia Vida Independente focaram-se aspectos das políticas sociais vingentes sobretudo no referente à educação, emprego, vida activa e acessibilidades.
Diogo Martins falou sobre a Vida Independente como uma filosofia de vida para Pessoas com Deficiência. Este movimento nasceu nos EUA, nos anos 60 e sobre o qual fez um resumo Histórico. A Vida Independente funda-se em dois princípios básicos: Autodeterminação e a Autorealização.  O  primeiro consiste no Direito da Pessoa com Deficiência saber e decidir o que é melhor para si. O segundo também é um Direito que tem todos os cidadãos de se realizarem pessoal e profissionalmente, sem limitações causadas pelas incapacidades.

Jorge Falcato falou de três modelos sociais da Pessoa com Deficiência:
Modelo mágico/religioso – Mais antigo. Que associa a deficiência ao castigo por algum pecado no passado.
Modelo médico – O problema está na pessoa e é esta que se tem que adaptar à sociedade e à sua organização. Se não o conseguir será afastada da sociedade e institucionalizada. Ainda é o vingente.
Modelo inclusivo – A deficiência não está na pessoa mas na sociedade que não está adaptada para todos. Neste último modelo são as Pessoas com Deficiência individualmente ou em grupo que promovem a mudança de mentalidade.
Falou depois Margarida Fonseca Santos que falou na sua experiência com uma deficiência motora, e da sua decisão de escrever sobre estes problemas. Citou vários exemplos e de o dever que sente de educar os outros.
Em seguida Mara João Filipe falou da Rede de Bibliotecas Escolares – na Escola Básica de Mafra que referiu vários projectos sobretudo o “Todos Juntos Podemos Ler” e “Ler na Ponta dos Dedos”. Com a finalidade de criar bibliotecas escolares inclusivas e acessíveis a todos seja qual for a sua deficiência e referiu a importância do papel interactivo.
Conclusão do seminário
Ainda falta muito para garantir os Direitos Humanos e a Igualdade de oportunidades para pessoas com deficiência. A iliteracia deve ser um dos primeiros combates e através da leitura espera-se mudar as mentalidades, as políticas e as atitudes.  

Texto: João Baeta Neves 
Fotografias: Maria José Vitorino

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terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Bibliotecas inclusivas


Biblioteca Inclusiva será qualquer biblioteca que organize recursos e serviços segundo princípios de inclusão, combatendo todas as formas de exclusão – física, cultural, social, ou outra.Uma biblioteca sem barreiras, ou que procura eliminá-las. Uma biblioteca em que, idealmente, até os documentos "adaptados" deveriam estar nas mesmas estantes, juntos e acessíveis a todos.
Tema de uma interessante comunicação de Susana Peix Cruz, da Biblioteca Armand Cardona Torrandell ,publicado em 2014 no Boletim da Associação andaluza de Biliotecarios, com o título Bibliotecas inclusivas, bibliotecas para todos, de que citamos:

¿SON LAS BIBLIOTECAS INCLUSIVAS? 

Si tenemos en cuenta los datos recogidos de los catálogos de las bibliotecas de Málaga y de Andalucía, y los diversos informes consultados podemos afirmar que las bibliotecas públicas andaluzas todavía se encuentran bastante alejadas de la inclusividad en cuanto a servicios y materiales adaptados a personas con discapacidad (sobretodo niños y niñas). Algunos equipamientos ni siquiera son accesibles al 100% y todavía presentan barreras arquitectónicas. 
¿Cómo conseguir que nuestras bibliotecas sean espacios inclusivos? 
Sensibilidad: hacia los colectivos con discapacidad. Sensibilidad e interés por romper las barreras mentales conociendo sus características, como tratarlos, sus necesidades lectoras y culturales... Debemos ser conscientes de que están ahí, algunos más visibles que otros, de que existen aunque no los veamos, de que forman parte de nuestra sociedad y de que tienen los mismos derechos que el resto de ciudadanos. 
Presupuesto anual: es imprescindible contar con un presupuesto para terminar con las barreras arquitectónicas que todavía existan en nuestras bibliotecas, y para la adquisición de fondos documentales adaptados, sobretodo infantiles: cuentos en LSE, en SPC, en Lectura Fácil, audiolibros, películas con audiodescripción… También se pueden incluir como materiales de apoyo: señalización con pictogramas, lupas, programa Jaws, telelupa...
Tratamiento del fondo documental: en algumas bibliotecas la catalogación de los documentos adaptados condiciona y muchas veces dificulta su ubicación en las salas infantiles. Es importante no caer en la segregación del fondo documental en nuestras bibliotecas de manera que separemos los documentos adaptados del resto por el hecho de “estar adaptados”. Para conseguir una biblioteca inclusiva los documentos, adaptados o no, deberían estar juntos. El hecho de separarlos del resto nos limitaría a una integración de nuestros fondos que, si bien puede ser un importante avance, debería servirnos como un primer paso para llegar a la inclusión definitiva. 
La solución es sencilla: catalogar estos fondos sin modificar la signatura por el hecho de ser adaptados ya que la mayoría son textos originales perfectamente válidos para todos los niños y niñas y las adaptaciones se basan en un texto más sencillo (siguiendo o no las directrices de la Lectura Fácil), en otra lengua (lengua de signos española) o un cambio de tipografía (sistema Braille). Estos materiales se pueden identificar mediante la materia: lengua de signos, lectura fácil, lenguaje pictográfico, Braille… La identificación con materias es importante en cualquier fondo de ficción infantil y indispensable en esta tipología de documentos como sistema de recuperación bibliográfica. Utilizando las materias para identificar estos documentos podemos ubicarlos sin segregarlos y ordenarlos siguiendo el mismo criterio que utilicemos con el resto de fondos infantiles: alfabéticamente o por centros de interés, de manera que en cada uno de los centros de interés podamos incluir diferentes materias y formatos. De este modo normalizamos nuestro fondo y cualquier usuario sea cual sea su condición y capacidad podrá acceder sin sentirse diferente del resto. 
Actividades y servicios: además de fondos adaptados a las diferentes necesidades es interesante contar con actividades de fomento a la lectura adaptadas a diferentes colectivos: conferencias, exposiciones, cuentacuentos interpretado en lengua de signos… Así como servicios específicos: visitas personalizadas, formación de usuarios, personal con conocimiento de lengua de signos, etc. 
Fonte:  https://www.aab.es/app/download/21024463/SUSANA+PEIX.pdf

domingo, 26 de novembro de 2017

Precisamos de conversar mais sobre educação - não apenas escola, mas também, e muito, a escola

 Luís Borges
Seria preciso mudar a própria escola.

Há algumas coisas que não têm que ver com a escola. Uma delas é o sono: as crianças devem dormir nove a dez horas por noite. Uma criança que dorme pouco tem dificuldade em concentrar-se e grande parte da nossa memória de longo prazo é feita durante o sono. Depois, há o desporto: a atividade motora liberta substâncias que relaxam, o que vai facilitar a aprendizagem. E há outra coisa importante: o uso exagerado dos tablets e dos telemóveis. Porque a atenção que se usa num jogo de computador é totalmente diferente da que se utiliza para ler e compreender um texto, e as crianças vão habituar-se àquele tipo de atenção… Tudo isso, eu digo aos pais. Mas sim, seria sobretudo importante mudar escola, mudar os programas, aliviar os professores da pressão das metas curriculares… Aos seis anos, é o currículo que deve encaixar na criança e não o contrário.


Luís Borges, neuropediatra

Vida Independente


De acordo com o  Decreto Lei N.º 129/2017 de 9 de Outubro, a Mithós irá candidatar-se a ser um Centro de Apoio à Vida Independente (CAVI)
Para tal, estamos a abrir as candidaturas a potenciais participantes* que necessitem de assistência pessoal para realizar tarefas da vida diária que não consigam realizar por elas próprias. 

Ficha de inscrição (gratuita): https://goo.gl/forms/i4yvgU7Lb562I1yt1

Para mais informações ou esclarecimentos, contacte-nos: 
263 209 507
ou 963 877 695
 ou 963 877 706

*Podem participar todas as pessoas maiores de 16 anos com:
a) deficiência com atestado multiuso com mínimo de 60% de incapacidade
b) perturbação do espectro do autismo
c) doença mental

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Educação Bilingue para Surdos: Uma Experiência Portuguesa - por sinal, consegues ouvir o Mundo ?

 Imagem daqui https://www.serralves.pt/fotos/editor2/programas_educativos_2017-2018_v1_single.pdf —
Imagem daqui

Um artigo interessante sobre a História da  Educação de Surdos no nosso país

A História da Educação de Surdos em Portugal não é separável da História da Casa Pia de Lisboa (CPL). Foi nesta instituição que se introduziram os principais métodos de ensino de surdos que se aplicaram em Portugal. O ensino de surdos foi introduzido pelo professor sueco, Per Aron Borg também fundador da primeira escola de surdos da Suécia.

Este professor traria consigo o alfabeto manual sueco que viria a ter grande influência na própria Língua Gestual Portuguesa (LGP) sobretudo ao nível das configurações da mão. A partir de 1905 é introduzido na CPL o método oral por Pavão de Sousa e que viria a dominar a educação de surdos no nosso país durante 87 anos relegando a LGP para a clandestinidade, embora se continuasse a desenvolver nos lares e nos intervalos das aulas e nos refeitórios. À semelhança de muitos locais da Europa e América o Método Oralista, também, em Portugal começa a ser posto em causa embora mais tarde (nos anos 90 do século XX). Assim, é no Instituto Jacob Rodrigues Pereira (IJRP) que a LGP é recuperada da clandestinidade e passa a ser alvo de estudos científicos e aplicado no ensino desta população dando origem aos primeiros passos do Ensino Bilingue em Portugal.
Todavia, embora o modelo teórico da Educação Bilingue fosse já uma realidade, o mesmo não se passava com a sua aplicação prática. Vários eram e são os impedimentos para essa aplicação efetiva. Por essa razão a partir de 2005, o IJRP organizou-se de forma a que a aplicação do bilinguismo fosse uma realidade como base em diferentes eixos: a intervenção precoce; o trabalho com as famílias; a construção de materiais bilingues; a aplicação do programa de língua portuguesa para surdos; a ampliação da equipa de integração e formação profissional; a criação da Unidade de Investigação; a constituição do departamento de educação especial e uma equipa de serviços técnicos de apoio e serviço educativo. Estas valências têm produzido bons resultados ao nível do desempenho escolar dos alunos surdos e na sua inclusão autónoma na sociedade.


Educação Bilingue para Surdos: Uma Experiência Portuguesa por Paulo Vaz de Carvalho - porsinal, consegues ouvir o Mundo ?

Outra fonte interessantes, mais extensa - Educação bilingue de alunos surdos : manual de apoio à prática (2009)

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Livros gratuitos sobre Educação Inclusiva

Livros gratuitos sobre Educação Inclusiva


Você que é professor, estudante, pesquisador ou quer apenas conhecer mais sobre esse assunto tão importante para uma boa convivência acadêmica, pode fazê-lo baixando os livros gratuitamente para ler quando e onde quiser. São 11 opções, veja só aqui (Fonte: Canal do Ensino)



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